Por DR. SOFIANE LABIDI
Jornal Pequeno, 7 de março de 2010 às 10:44
Em um mundo moderno onde a única certeza é a mudança, apenas o conhecimento é uma fonte segura de vantagem competitiva. O conhecimento passou a ocupar uma posição essencial no desenvolvimento das forças produtivas. As empresas de sucesso são aquelas que, de forma consistente, criam novos conhecimentos, os disseminam e os incorporam para gerar novas tecnologias e produtos. Isso caracteriza a empresa criadora de conhecimento cuja inovação contínua é seu negócio.
As transformações ocorridas nos últimos anos estão nos levando a um novo modelo, um novo paradigma de organização da economia e da sociedade. Estamos assistindo à emergência de uma nova economia: a "economia do conhecimento" mais conhecida como a "economia do saber" na qual, a pesquisa e a inovação técnico-científica são os motores da produção e do desenvolvimento. Na sociedade do saber, o recurso controlador não é mais o capital, a terra ou a mão-de-obra, mas, sim, o conhecimento, a capacidade e a experiência. A sociedade do saber é fundamentada no princípio que o conhecimento constitua o maior elemento do desenvolvimento da atividade humana. Uma sociedade do saber cria, compartilha, e usa o saber para a prosperidade e o bem estar de seus cidadãos. A relação entre conhecimento e desenvolvimento é fundamental para a construção da sociedade do saber, pois o saber, além de ser uma ferramenta para a satisfação das necessidades econômicas, é um elemento fundamental para o crescimento humano.
Para enfrentar seus desafios, uma cidade, uma região ou uma nação, deve melhor apreender o conceito da economia do saber para melhor integrá-la às suas estratégias de desenvolvimento e adaptá-la de forma eficiente aos seus contextos econômicos. Tanto para os indivíduos, empresas ou governos; sobrevive hoje quem sabe mais, quem sabe aprender e quem aprende mais rápido.
Porém, o conceito de economia do saber não é tão recente. Logo nos anos 50, foi observada uma expansão gradual das atividades não-agrícolas e não-industriais. A tal economia emergente, foi referida na época como economia pós-industrial e em seguida como "indústria baseada no conhecimento" e "capitalismo cognitivo" quando foi descoberto que as ocupações ligadas à produção do conhecimento tinham ultrapassado as outras ocupações em quantidade. Logo no final dos anos 70, foi utilizado o termo "economia da informação". Mas, com a emergência das novas tecnologias (Internet, Web, Inteligência Artificial, etc.) esta economia amadureceu e cresceu rapidamente para a economia do conhecimento e do saber.
A economia do saber é caracterizada pelo aumento da participação do conhecimento na criação de valor agregado e por uma difusão rápida das novas tecnologias da informação. Assim, o tamanho da economia do saber pode ser medido pela parcela do setor no PIB (Produto Interno Bruto) total e portanto, ela não pode ser limitada apenas aos setores da tecnologia, mas deve envolver todos os setores de atividades desde que comprometidos com a geração de trabalho e a melhoria da produção.
É pela educação que se prepara a população para a entrada na nova era e que se constrói a sociedade do saber. De fato, há uma evidência histórica da relação entre educação e produtividade. Essa relação se consolidou ainda mais com o advento da sociedade do saber. Isso significa que, se quisermos realmente ser competitivos, teremos que mudar nosso modo de entender e de agir em relação à educação, pois o desenvolvimento das economias modernas que são baseadas no conhecimento aumenta ainda mais a importância da política educacional.
A demanda por formação é cada vez maior. Essa demanda não somente cresce como também sofre uma mutação profunda. Como vivemos na sociedade da mudança e da revolução tecnológica, a maioria do conhecimento adquirido no início de uma carreira fica praticamente obsoleto antes mesmo de seu término. Porém, até os anos 60, as competências adquiridas por uma pessoa permanecem quase inalteradas até o final de sua carreira. O estereótipo onde se aprende uma profissão na juventude para exercê-la ao longo da vida está ficando em xeque.
Os sistemas educacionais encontram-se desatualizados com relação à quantidade, diversidade e, principalmente, velocidade de evoluções dos saberes. Assim, a educação e a generalização do saber são nossos maiores desafios. Devemos considerar a transição de uma educação institucionalizada para uma troca de saberes. Devemos ampliar os mecanismos e o esforço pedagógico dos professores e formadores e investir mais na formação profissional e contínua. O pensador e filósofo da informação Pierre Lévy, por exemplo, propõe duas reformas fundamentais nos sistemas educacionais: o reconhecimento das novas formas de aprendizagem por meio das experiências social e profissional e não mais somente por meio das formas tradicionais; e a utilização do Ensino Virtual.
O impacto da evolução para a nova economia é muito grande. Com a economia do saber cria-se um ambiente competitivo que atraia e fixa novas empresas e encorajar a criação de novos empreendimentos locais. Ela orienta a geração de trabalho e de riquezas, fortalece a competitividade e o desenvolvimento inclusivo, sustentável, sólido, geral e equilibrado. Os novos paradigmas trazidos pela sociedade do saber têm muitas conseqüências: o fato que as competências profissionais se tornam obsoletas ao longo do tempo, a nova natureza do trabalho que valoriza a transação do conhecimento (aprender, transmitir, produzir), as novas formas de acesso à informação; e os novos estilos de raciocínio e conhecimento.
Infelizmente, é evidente a fraqueza do posicionamento do Maranhão quanto à economia do saber onde vários fatores impedem seu desenvolvimento. Deve-se, deste modo, adotar uma série de políticas que causam transformações importantes nos setores da educação, da inovação e das Tecnologias da Informação e Comunicação - TICs reforçando assim suas capacidades de formação, de tecnologia, e de produção fatores esses determinantes da competitividade e do desenvolvimento.
Além dos governos e do setor de tecnologia, todos os atores econômicos e sociais devem se sentir responsáveis pela criação do saber e a construção de competências tanto nas empresas como no setor público. Uma dinâmica coletiva requerendo a multiplicação das interações e das relações de cooperação entre todos os atores (Fiema, Sebrae, IEL, Senai, IEs, etc.), bem como uma política ambiciosa e inovadora de investimento no conhecimento estão se impondo. Iniciativas como a criação de parques tecnológicos, institutos e pólos de pesquisa e desenvolvimento, institutos e faculdades de tecnologia, empresas júnior, incubadoras de empresas, etc. são ações necessárias e urgentes para implantação e sucesso de tal economia.
É preciso também, investir em um grande projeto de formação e qualificação de recursos humanos e reforçar a cooperação intersetorial e o papel das empresas do setor privado e das organizações da sociedade civil organizada.
É preciso, portanto buscar modernizar o sistema educacional e encorajar investimentos maciços em todos os setores relacionados com o conhecimento e com as novas tecnologias. A economia do saber deve ser reconhecida como um elemento fundamental no desenvolvimento econômico e social das comunidades.
Acreditamos que apenas uma economia baseada no saber tem a capacidade de gerar uma verdadeira coesão social e que a ligação intrínseca entre o homem e o conhecimento é a essência mesmo desta nova tendência da história onde o homo sapiens prevalece sobre o homo faber.
Biografia
Sofiane Labidi é doutor em Inteligência Artificial (1995) pelo Instituto Francês de Pesquisa em Informática e Automática (INRIA). Tem graduação e mestrado em Ciência da Computação pela Universidade de Nice Sophia Antipolis (França). Dr. Labidi possui uma larga experiência em pesquisa e produção científica e tem vários artigos publicados em periódicos e congressos nacionais e internacionais na área de Inteligência Artificial. Ele foi coordenador de vários cursos de pós-graduação Lato Sensu, coordenador do Laboratório de Sistemas Inteligentes - LSI, da Ufma, onde coordenou vários projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e já formou mais de 40 mestres e doutores. Ele ministrou várias palestras no Brasil e no mundo e organizou vários congressos científicos. É editor de várias revistas internacionais, na área de Inteligência Artificial, e foi presidente do Simpósio Brasileiro de Inteligência Artificial (SBIA´2004). Dr. Labidi é consultor do Sebrae, na área de Gestão do Conhecimento, e membro fundador da Academia Maranhense de Ciência. Dr. Labidi ocupou vários cargos como coordenador do Núcleo de Educação à Distância em Saúde, do Pólo da Saúde do Maranhão; pró-reitor de Pesquisa da Universidade Virtual do Maranhão e diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão (Fapema). Atualmente é assessor especial do prefeito de São Luis, João Castelo.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Telecomunicações e sociedade da informação: uma estratégia para o futuro
Desde a Grécia antiga o homem tenta entender o significado da inteligência. Pesquisadores das ciências cognitivas, psicólogos, pedagogos, filósofos, sociólogos, neurologistas, etc. estudam este fenômeno com o intuito de simular o pensamento e o raciocínio humano. Mas, só em 1956, durante um congresso no New Hampshire, que nasceu a "Inteligência Artificial" como a ciência que busca conceber máquinas capazes de reproduzir tarefas humanas inteligentes.
Não há ainda consenso sobre a definição deste fenômeno. De fato, apreender e simular a inteligência é uma das tarefas mais desafiadoras que o homem está tentando resolver. Para alguns pesquisadores, a inteligência é determinada por fatores genéticos e que, uma vez adquirida, pouco ela pode ser modificada. Para outros, a inteligência se desenvolva dependendo intimamente do contexto sócio-ambiental. Sabemos que o que caracteriza o homem em relação aos demais seres vivos é sua inteligência e que esta inteligência tem quatro características importantes. De fato, o homem é intencional (norteado pelos seus objetivos), racional (sabe escolher o melhor caminho para atingir seus objetivos), cognitivo (suas decisões são baseadas no conhecimento e no raciocino) e adaptativo (tem capacidades de se adequar às mudanças). Assim, podemos afirmar que um agente é inteligente se ele é intencional, racional, cognitivo e adaptativo.
Contudo, durante muito tempo, a concepção da inteligência foi a de uma grandeza passível de medição. Isto leva a entender que a inteligência pode ser quantificada por meio de testes psicométricos preparados especialmente para esta finalidade. Em 1859, Francis Galton (primo de Charles Darwin) desenvolveu uma série de testes para medir a inteligência, baseando-se na teoria de que o processo evolutivo decorria de uma seleção natural. Em 1905, o pedagogo e psicólogo Alfred Binet desenvolveu, a pedido do Ministério da Educação da França, um teste de inteligência para auxiliar na resolução do problema do baixo rendimento escolar das crianças das séries primárias. Binet propõe uma escala métrica que permitia de medir o desenvolvimento da inteligência das crianças de acordo com as suas idades cronológica (idade real) e mental (idade correspondendo ao seu nível cognitivo). A medida de Binet ficou conhecida como "Quociente Intelectual". O teste quantifica e classifica a capacidade intelectual das crianças individualmente a fim de colocá-las nas classes adequadas às suas capacidades cognitivas. De fato, Binet observou que o problema do ensino primário estava basicamente ligado ao fato das classes serem heterogêneas, i.e., em uma única classe havia alunos bem dotados e outros pouco dotados intelectualmente. Portanto, tornava-se imprescindível selecionar as crianças pelo grau de inteligência, para formar classes homogêneas. Assim, Alfred Binet foi o inventor do primeiro teste de inteligência abrindo as portas aos atuais e famosos testes de QI (Quociente de Inteligência). Tais testes são baseados em questões de caráter lógico-matemático e lingüístico. O sucesso dos testes de QI se tornou ainda maior quando, na primeira Guerra Mundial, cerca de um milhão de soldados norte-americanos foram recrutados por meio desse teste.
Com a popularização dos testes de QI, propagou-se a idéia da inteligência ser única, estática e passível de medição. Porém, muitos casos reais mostrarem os limites dos testes de QI para avaliar a inteligência humana. Foi assim que, Países do mundo inteiro celebraram no último domingo (17/05) o Dia Internacional das Telecomunicações e da Sociedade da Informação. O dia foi instituído por uma resolução da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), dando seqüência aos encontros da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, ocorridos em Genebra (2003) e Túnis (2005). O objetivo da Cúpula foi criar uma sociedade da informação aberta a todos, inclusiva, centrada nas pessoas, baseada no conhecimento, e que fosse capaz de acelerar o desenvolvimento.
O principal significado do Dia Mundial da Sociedade da Informação é chamar a atenção de toda humanidade para as mudanças da sociedade proporcionada pela Internet e pelas novas tecnologias. Visa também sensibilizar sobre a necessidade da redução da exclusão digital no mundo, destacando a relação entre as enormes potencialidades das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e seu impacto para acelerar o ritmo do desenvolvimento da sociedade.
Curiosamente, no Maranhão, esta data passou despercebida. Um estado carente como o nosso, precisa mais do que nunca de empenho e investimento nesta área. É necessário firmar parcerias entre setores público, privado e terceiro setor para impulsionar e expandir a cultura numérica e a sociedade do saber. Só assim, podemos proporcionar a emergência de uma nova era e de uma nova sociedade onde o saber, a ciência e o progresso serão compartilhados de uma forma mais justa entre os indivíduos.
A ONU apelou a todos os países membros que organizem atividades adequadas para as celebrações acerca do tema de cada ano. Em 2008, o Dia Mundial da Sociedade da Informação foi celebrado sob o título "Abrir o caminho para o desenvolvimento sustentável". Este ano, o tema foi "Permitir aos deficientes beneficiarem das tecnologias de informação e comunicação". De fato, estima-se que existe no mundo cerca de 700 milhões de pessoas portadoras de necessidades especiais. Este número chega a dois bilhões considerando seus familiares, ou seja, um terço da população mundial é afetado, pois tem pelo menos um familiar portador de necessidades especiais.
Neste contexto, a Sociedade Mundial da Informação acredita que a utilização das TICs poderá ter um papel fundamental ao serviço destas pessoas ao permitir conectá-los, integrá-los à sociedade e melhorar sua qualidade de vida. A máxima do sucesso da Sociedade da Informação é o acesso universal. Todos devem ter a mesma oportunidade de participar na era digital e, portanto não podemos tirar de ninguém o direito de usufruir dos benefícios das TICs, muito menos dos portadores de deficiência. Felizmente, as novas tecnologias desenvolvidas habilitam as pessoas com todos os tipos de deficiência a terem uma função ativa na sociedade de informação. Nesse mesmo dia, foram premiadas pela ONU, uma entidade que promove normas e tecnologias auxiliando pessoas com deficiências visuais (consórcio DAISY), e uma entidade que desenvolve ferramentas que promovem o acesso à Internet junto a portadoras de necessidades especiais (consórcio Andrea Saks).
Desde a era do telégrafo, passando pelas comunicações na era espacial, até a nova era do ciberespaço em que hoje estamos, as Tecnologias da Informação e Comunicação sempre ajudaram a conectar a humanidade. Hoje, muitas pessoas seriam incapazes de imaginar a sua vida sem a utilização dessas tecnologias cada vez mais sofisticadas. No entanto, para os milhões de habitantes das regiões mais pobres, continua a existir a "fratura digital" que os exclui dos benefícios das TICs.
Assim, as TICs assumiram um papel importante na sociedade contemporânea, pois são instrumentos cruciais para alcançar o progresso sócio-econômico. As tecnologias, com custos cada vez mais acessíveis, nas mãos das comunidades locais, podem ser motores de mudanças eficazes, tanto no plano social como no plano econômico. O acesso à informação e ao conhecimento é essencial para vencer a fome, proteger o meio ambiente e alcançar nosso objetivo de desenvolvimento.
No entanto, para aproveitar essas potencialidades, é indispensável que os governos estabeleçam prioridades como o fortalecimento desta área e a busca em firmar parcerias com o setor privado e a sociedade civil. Caso contrário, continuaremos a ser meros copiadores de modelos e usuários de tecnologias que outros desenvolverão. Precisamos entender que as políticas assistenciais nunca deram certo, elas ajudam, mas não resolvem o problema.
Ciente de que o progresso de um estado e de um país é a decorrência da posição que ele acorda à ciência e ao saber, acreditamos e incitamos que o investimento no conhecimento deve ser nossa maior escolha para o futuro e que a pesquisa científica e a inovação são os únicos meios para passarmos à nova economia e relevarmos os desafios da revolução tecnológica.
DR. SOFIANE LABIDI.
labidi@uol.com.br
twitter.com/slabidi
Não há ainda consenso sobre a definição deste fenômeno. De fato, apreender e simular a inteligência é uma das tarefas mais desafiadoras que o homem está tentando resolver. Para alguns pesquisadores, a inteligência é determinada por fatores genéticos e que, uma vez adquirida, pouco ela pode ser modificada. Para outros, a inteligência se desenvolva dependendo intimamente do contexto sócio-ambiental. Sabemos que o que caracteriza o homem em relação aos demais seres vivos é sua inteligência e que esta inteligência tem quatro características importantes. De fato, o homem é intencional (norteado pelos seus objetivos), racional (sabe escolher o melhor caminho para atingir seus objetivos), cognitivo (suas decisões são baseadas no conhecimento e no raciocino) e adaptativo (tem capacidades de se adequar às mudanças). Assim, podemos afirmar que um agente é inteligente se ele é intencional, racional, cognitivo e adaptativo.
Contudo, durante muito tempo, a concepção da inteligência foi a de uma grandeza passível de medição. Isto leva a entender que a inteligência pode ser quantificada por meio de testes psicométricos preparados especialmente para esta finalidade. Em 1859, Francis Galton (primo de Charles Darwin) desenvolveu uma série de testes para medir a inteligência, baseando-se na teoria de que o processo evolutivo decorria de uma seleção natural. Em 1905, o pedagogo e psicólogo Alfred Binet desenvolveu, a pedido do Ministério da Educação da França, um teste de inteligência para auxiliar na resolução do problema do baixo rendimento escolar das crianças das séries primárias. Binet propõe uma escala métrica que permitia de medir o desenvolvimento da inteligência das crianças de acordo com as suas idades cronológica (idade real) e mental (idade correspondendo ao seu nível cognitivo). A medida de Binet ficou conhecida como "Quociente Intelectual". O teste quantifica e classifica a capacidade intelectual das crianças individualmente a fim de colocá-las nas classes adequadas às suas capacidades cognitivas. De fato, Binet observou que o problema do ensino primário estava basicamente ligado ao fato das classes serem heterogêneas, i.e., em uma única classe havia alunos bem dotados e outros pouco dotados intelectualmente. Portanto, tornava-se imprescindível selecionar as crianças pelo grau de inteligência, para formar classes homogêneas. Assim, Alfred Binet foi o inventor do primeiro teste de inteligência abrindo as portas aos atuais e famosos testes de QI (Quociente de Inteligência). Tais testes são baseados em questões de caráter lógico-matemático e lingüístico. O sucesso dos testes de QI se tornou ainda maior quando, na primeira Guerra Mundial, cerca de um milhão de soldados norte-americanos foram recrutados por meio desse teste.
Com a popularização dos testes de QI, propagou-se a idéia da inteligência ser única, estática e passível de medição. Porém, muitos casos reais mostrarem os limites dos testes de QI para avaliar a inteligência humana. Foi assim que, Países do mundo inteiro celebraram no último domingo (17/05) o Dia Internacional das Telecomunicações e da Sociedade da Informação. O dia foi instituído por uma resolução da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), dando seqüência aos encontros da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, ocorridos em Genebra (2003) e Túnis (2005). O objetivo da Cúpula foi criar uma sociedade da informação aberta a todos, inclusiva, centrada nas pessoas, baseada no conhecimento, e que fosse capaz de acelerar o desenvolvimento.
O principal significado do Dia Mundial da Sociedade da Informação é chamar a atenção de toda humanidade para as mudanças da sociedade proporcionada pela Internet e pelas novas tecnologias. Visa também sensibilizar sobre a necessidade da redução da exclusão digital no mundo, destacando a relação entre as enormes potencialidades das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e seu impacto para acelerar o ritmo do desenvolvimento da sociedade.
Curiosamente, no Maranhão, esta data passou despercebida. Um estado carente como o nosso, precisa mais do que nunca de empenho e investimento nesta área. É necessário firmar parcerias entre setores público, privado e terceiro setor para impulsionar e expandir a cultura numérica e a sociedade do saber. Só assim, podemos proporcionar a emergência de uma nova era e de uma nova sociedade onde o saber, a ciência e o progresso serão compartilhados de uma forma mais justa entre os indivíduos.
A ONU apelou a todos os países membros que organizem atividades adequadas para as celebrações acerca do tema de cada ano. Em 2008, o Dia Mundial da Sociedade da Informação foi celebrado sob o título "Abrir o caminho para o desenvolvimento sustentável". Este ano, o tema foi "Permitir aos deficientes beneficiarem das tecnologias de informação e comunicação". De fato, estima-se que existe no mundo cerca de 700 milhões de pessoas portadoras de necessidades especiais. Este número chega a dois bilhões considerando seus familiares, ou seja, um terço da população mundial é afetado, pois tem pelo menos um familiar portador de necessidades especiais.
Neste contexto, a Sociedade Mundial da Informação acredita que a utilização das TICs poderá ter um papel fundamental ao serviço destas pessoas ao permitir conectá-los, integrá-los à sociedade e melhorar sua qualidade de vida. A máxima do sucesso da Sociedade da Informação é o acesso universal. Todos devem ter a mesma oportunidade de participar na era digital e, portanto não podemos tirar de ninguém o direito de usufruir dos benefícios das TICs, muito menos dos portadores de deficiência. Felizmente, as novas tecnologias desenvolvidas habilitam as pessoas com todos os tipos de deficiência a terem uma função ativa na sociedade de informação. Nesse mesmo dia, foram premiadas pela ONU, uma entidade que promove normas e tecnologias auxiliando pessoas com deficiências visuais (consórcio DAISY), e uma entidade que desenvolve ferramentas que promovem o acesso à Internet junto a portadoras de necessidades especiais (consórcio Andrea Saks).
Desde a era do telégrafo, passando pelas comunicações na era espacial, até a nova era do ciberespaço em que hoje estamos, as Tecnologias da Informação e Comunicação sempre ajudaram a conectar a humanidade. Hoje, muitas pessoas seriam incapazes de imaginar a sua vida sem a utilização dessas tecnologias cada vez mais sofisticadas. No entanto, para os milhões de habitantes das regiões mais pobres, continua a existir a "fratura digital" que os exclui dos benefícios das TICs.
Assim, as TICs assumiram um papel importante na sociedade contemporânea, pois são instrumentos cruciais para alcançar o progresso sócio-econômico. As tecnologias, com custos cada vez mais acessíveis, nas mãos das comunidades locais, podem ser motores de mudanças eficazes, tanto no plano social como no plano econômico. O acesso à informação e ao conhecimento é essencial para vencer a fome, proteger o meio ambiente e alcançar nosso objetivo de desenvolvimento.
No entanto, para aproveitar essas potencialidades, é indispensável que os governos estabeleçam prioridades como o fortalecimento desta área e a busca em firmar parcerias com o setor privado e a sociedade civil. Caso contrário, continuaremos a ser meros copiadores de modelos e usuários de tecnologias que outros desenvolverão. Precisamos entender que as políticas assistenciais nunca deram certo, elas ajudam, mas não resolvem o problema.
Ciente de que o progresso de um estado e de um país é a decorrência da posição que ele acorda à ciência e ao saber, acreditamos e incitamos que o investimento no conhecimento deve ser nossa maior escolha para o futuro e que a pesquisa científica e a inovação são os únicos meios para passarmos à nova economia e relevarmos os desafios da revolução tecnológica.
DR. SOFIANE LABIDI.
labidi@uol.com.br
twitter.com/slabidi
Inteligências Múltiplas
Desde a Grécia antiga o homem tenta entender o significado da inteligência. Pesquisadores das ciências cognitivas, psicólogos, pedagogos, filósofos, sociólogos, neurologistas, etc. estudam este fenômeno com o intuito de simular o pensamento e o raciocínio humano. Mas, só em 1956, durante um congresso no New Hampshire, que nasceu a "Inteligência Artificial" como a ciência que busca conceber máquinas capazes de reproduzir tarefas humanas inteligentes.
Não há ainda consenso sobre a definição deste fenômeno. De fato, apreender e simular a inteligência é uma das tarefas mais desafiadoras que o homem está tentando resolver. Para alguns pesquisadores, a inteligência é determinada por fatores genéticos e que, uma vez adquirida, pouco ela pode ser modificada. Para outros, a inteligência se desenvolva dependendo intimamente do contexto sócio-ambiental. Sabemos que o que caracteriza o homem em relação aos demais seres vivos é sua inteligência e que esta inteligência tem quatro características importantes. De fato, o homem é intencional (norteado pelos seus objetivos), racional (sabe escolher o melhor caminho para atingir seus objetivos), cognitivo (suas decisões são baseadas no conhecimento e no raciocino) e adaptativo (tem capacidades de se adequar às mudanças). Assim, podemos afirmar que um agente é inteligente se ele é intencional, racional, cognitivo e adaptativo.
Contudo, durante muito tempo, a concepção da inteligência foi a de uma grandeza passível de medição. Isto leva a entender que a inteligência pode ser quantificada por meio de testes psicométricos preparados especialmente para esta finalidade. Em 1859, Francis Galton (primo de Charles Darwin) desenvolveu uma série de testes para medir a inteligência, baseando-se na teoria de que o processo evolutivo decorria de uma seleção natural. Em 1905, o pedagogo e psicólogo Alfred Binet desenvolveu, a pedido do Ministério da Educação da França, um teste de inteligência para auxiliar na resolução do problema do baixo rendimento escolar das crianças das séries primárias. Binet propõe uma escala métrica que permitia de medir o desenvolvimento da inteligência das crianças de acordo com as suas idades cronológica (idade real) e mental (idade correspondendo ao seu nível cognitivo). A medida de Binet ficou conhecida como "Quociente Intelectual". O teste quantifica e classifica a capacidade intelectual das crianças individualmente a fim de colocá-las nas classes adequadas às suas capacidades cognitivas. De fato, Binet observou que o problema do ensino primário estava basicamente ligado ao fato das classes serem heterogêneas, i.e., em uma única classe havia alunos bem dotados e outros pouco dotados intelectualmente. Portanto, tornava-se imprescindível selecionar as crianças pelo grau de inteligência, para formar classes homogêneas. Assim, Alfred Binet foi o inventor do primeiro teste de inteligência abrindo as portas aos atuais e famosos testes de QI (Quociente de Inteligência). Tais testes são baseados em questões de caráter lógico-matemático e lingüístico. O sucesso dos testes de QI se tornou ainda maior quando, na primeira Guerra Mundial, cerca de um milhão de soldados norte-americanos foram recrutados por meio desse teste.
Com a popularização dos testes de QI, propagou-se a idéia da inteligência ser única, estática e passível de medição. Porém, muitos casos reais mostrarem os limites dos testes de QI para avaliar a inteligência humana. Foi assim que, na véspera da copa do mundo de futebol de 1958, o psicólogo da seleção brasileira resolveu aplicar nos jogadores testes de QI. O atleta Garricha, embora com talento extraordinário, obteve um QI muito baixo, ficou classificado como débil mental e quase foi impedido de participar da Copa. Exemplos como esses são inúmeros, o que deixa claro que os testes de QI apenas avaliam o desempenho de um individuo sob a perspectiva lógico matemática e não de todas as suas habilidades.
Em 1983, o psicólogo Howard Gardner da universidade de Harvard, causou um forte impacto nos meios educacional e pedagógico com seu novo conceito de inteligência introduzido em seu livro "A teoria das inteligências múltiplas". Gardner defende uma abordagem abrangendo sistemas de símbolos mais amplos do que os lógicos e lingüísticos, envolvendo novos símbolos: pessoais, espaciais, musicais e corporais. Assim, a novidade dentro da teoria de Gardner é de considerar a inteligência como possuindo várias facetas. Tais facetas, consideradas como talentos, capacidades e habilidades mentais; são chamadas de inteligências nesta teoria que só chegou ao Brasil em 1994.
Para identificar essas inteligências, Gardner e sua equipe fizerem longos estudos sobre cognição e aprendizagem. Eles usarem diversas fontes de informações como: estudos sobre populações prodígios, idiotas sábios, crianças autistas, crianças com dificuldade de aprendizagem; dados sobre a evolução da cognição; estudos psicométricos; etc. Foram assim identificadas sete inteligências: lógico-matemática, lingüística, musical, corporal-cinestésica, espacial, intrapessoal e interpessoal.
A inteligência Lógico-matemática é a capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções (raciocino lógico).
A Lingüística é a habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita para atingir objetivos. Ela está geralmente relacionada às pessoas da área humana.
A Espacial é a disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões visuais i.e. é a facilidade em se colocar e se deslocar no espaço; e está muito relacionada aos atletas, de forma geral.
A Corporal-cinestésica é o potencial para usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar produtos. Ela está relacionada à coordenação motora, aos sentidos e à expressão corporal.
A Interpessoal é a capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e conseqüentemente de se relacionar bem em sociedade.
A Intrapessoal ligada ao autoconhecimento e ao entendimento de si mesmo para alcançar certos fins, e
A Musical é a aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais.
Mais tarde, Gardner identificou mais uma inteligência: a naturalista ou ecológica (reconhecer e classificar espécies da natureza, se integrar com a natureza) e sugeriu o agrupamento das inteligências interpessoal e intrapessoal em uma só chamada inteligência emocional (inteligências pessoais). Outros tipos de inteligência como a pictórica, a existencial e a espiritual estão sendo discutidas por vários pesquisadores, mas ainda não foram reconhecidas e incorporadas.
A primeira implicação da teoria das inteligências múltiplas é que existem habilidades e talentos diferenciados para atividades específicas. Vale ressaltar também que embora essas habilidades sejam independentes, raramente elas funcionam de forma isolada. Para Gardner, cada indivíduo nasce com um grande potencial de talentos. Esse potencial vai se moldando pela educação e pela cultura.
Refletindo sobre esta grande descoberta, podemos dizer que a teoria das inteligências múltiplas tem o mérito de favorecer uma visão completa do indivíduo e de alertar sobre a necessidade da valorização da multiplicidade e da diversidade na sala de aula. Porém, nosso sistema educacional e nossa sociedade em geral não levam em consideração tais princípios. O desenvolvimento de habilidades relacionadas à arte e ao esporte, por exemplo, só aparecem nas chamadas atividades extracurriculares, enquanto o sistema educacional chinês exige que cada aluno domine pelo menos três instrumentos musicais. Os concursos públicos no país focam geralmente a área jurídica é isso e é prejudicial para muita gente.
Assim, alternativas para novas práticas educacionais se apresentam como o desenvolvimento de avaliações adequadas às diversas habilidades humanas e a disponibilização de um ambiente educacional mais amplo e variado que não dependa apenas do desenvolvimento exclusivo da linguagem e da lógica. Contudo, a maneira mais difundida de aplicar a teoria das inteligências múltiplas é de, a exemplo do que faz parcialmente a pedagogia da alternância, tentar estimular todas as habilidades potenciais (as oito inteligências) dos alunos quando eles estão aprendendo um mesmo conteúdo.
PROF. DR. SOFIANE LABIDI
labidi@uol.com.br
twitter.com/slabidi
Não há ainda consenso sobre a definição deste fenômeno. De fato, apreender e simular a inteligência é uma das tarefas mais desafiadoras que o homem está tentando resolver. Para alguns pesquisadores, a inteligência é determinada por fatores genéticos e que, uma vez adquirida, pouco ela pode ser modificada. Para outros, a inteligência se desenvolva dependendo intimamente do contexto sócio-ambiental. Sabemos que o que caracteriza o homem em relação aos demais seres vivos é sua inteligência e que esta inteligência tem quatro características importantes. De fato, o homem é intencional (norteado pelos seus objetivos), racional (sabe escolher o melhor caminho para atingir seus objetivos), cognitivo (suas decisões são baseadas no conhecimento e no raciocino) e adaptativo (tem capacidades de se adequar às mudanças). Assim, podemos afirmar que um agente é inteligente se ele é intencional, racional, cognitivo e adaptativo.
Contudo, durante muito tempo, a concepção da inteligência foi a de uma grandeza passível de medição. Isto leva a entender que a inteligência pode ser quantificada por meio de testes psicométricos preparados especialmente para esta finalidade. Em 1859, Francis Galton (primo de Charles Darwin) desenvolveu uma série de testes para medir a inteligência, baseando-se na teoria de que o processo evolutivo decorria de uma seleção natural. Em 1905, o pedagogo e psicólogo Alfred Binet desenvolveu, a pedido do Ministério da Educação da França, um teste de inteligência para auxiliar na resolução do problema do baixo rendimento escolar das crianças das séries primárias. Binet propõe uma escala métrica que permitia de medir o desenvolvimento da inteligência das crianças de acordo com as suas idades cronológica (idade real) e mental (idade correspondendo ao seu nível cognitivo). A medida de Binet ficou conhecida como "Quociente Intelectual". O teste quantifica e classifica a capacidade intelectual das crianças individualmente a fim de colocá-las nas classes adequadas às suas capacidades cognitivas. De fato, Binet observou que o problema do ensino primário estava basicamente ligado ao fato das classes serem heterogêneas, i.e., em uma única classe havia alunos bem dotados e outros pouco dotados intelectualmente. Portanto, tornava-se imprescindível selecionar as crianças pelo grau de inteligência, para formar classes homogêneas. Assim, Alfred Binet foi o inventor do primeiro teste de inteligência abrindo as portas aos atuais e famosos testes de QI (Quociente de Inteligência). Tais testes são baseados em questões de caráter lógico-matemático e lingüístico. O sucesso dos testes de QI se tornou ainda maior quando, na primeira Guerra Mundial, cerca de um milhão de soldados norte-americanos foram recrutados por meio desse teste.
Com a popularização dos testes de QI, propagou-se a idéia da inteligência ser única, estática e passível de medição. Porém, muitos casos reais mostrarem os limites dos testes de QI para avaliar a inteligência humana. Foi assim que, na véspera da copa do mundo de futebol de 1958, o psicólogo da seleção brasileira resolveu aplicar nos jogadores testes de QI. O atleta Garricha, embora com talento extraordinário, obteve um QI muito baixo, ficou classificado como débil mental e quase foi impedido de participar da Copa. Exemplos como esses são inúmeros, o que deixa claro que os testes de QI apenas avaliam o desempenho de um individuo sob a perspectiva lógico matemática e não de todas as suas habilidades.
Em 1983, o psicólogo Howard Gardner da universidade de Harvard, causou um forte impacto nos meios educacional e pedagógico com seu novo conceito de inteligência introduzido em seu livro "A teoria das inteligências múltiplas". Gardner defende uma abordagem abrangendo sistemas de símbolos mais amplos do que os lógicos e lingüísticos, envolvendo novos símbolos: pessoais, espaciais, musicais e corporais. Assim, a novidade dentro da teoria de Gardner é de considerar a inteligência como possuindo várias facetas. Tais facetas, consideradas como talentos, capacidades e habilidades mentais; são chamadas de inteligências nesta teoria que só chegou ao Brasil em 1994.
Para identificar essas inteligências, Gardner e sua equipe fizerem longos estudos sobre cognição e aprendizagem. Eles usarem diversas fontes de informações como: estudos sobre populações prodígios, idiotas sábios, crianças autistas, crianças com dificuldade de aprendizagem; dados sobre a evolução da cognição; estudos psicométricos; etc. Foram assim identificadas sete inteligências: lógico-matemática, lingüística, musical, corporal-cinestésica, espacial, intrapessoal e interpessoal.
A inteligência Lógico-matemática é a capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções (raciocino lógico).
A Lingüística é a habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita para atingir objetivos. Ela está geralmente relacionada às pessoas da área humana.
A Espacial é a disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões visuais i.e. é a facilidade em se colocar e se deslocar no espaço; e está muito relacionada aos atletas, de forma geral.
A Corporal-cinestésica é o potencial para usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar produtos. Ela está relacionada à coordenação motora, aos sentidos e à expressão corporal.
A Interpessoal é a capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e conseqüentemente de se relacionar bem em sociedade.
A Intrapessoal ligada ao autoconhecimento e ao entendimento de si mesmo para alcançar certos fins, e
A Musical é a aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais.
Mais tarde, Gardner identificou mais uma inteligência: a naturalista ou ecológica (reconhecer e classificar espécies da natureza, se integrar com a natureza) e sugeriu o agrupamento das inteligências interpessoal e intrapessoal em uma só chamada inteligência emocional (inteligências pessoais). Outros tipos de inteligência como a pictórica, a existencial e a espiritual estão sendo discutidas por vários pesquisadores, mas ainda não foram reconhecidas e incorporadas.
A primeira implicação da teoria das inteligências múltiplas é que existem habilidades e talentos diferenciados para atividades específicas. Vale ressaltar também que embora essas habilidades sejam independentes, raramente elas funcionam de forma isolada. Para Gardner, cada indivíduo nasce com um grande potencial de talentos. Esse potencial vai se moldando pela educação e pela cultura.
Refletindo sobre esta grande descoberta, podemos dizer que a teoria das inteligências múltiplas tem o mérito de favorecer uma visão completa do indivíduo e de alertar sobre a necessidade da valorização da multiplicidade e da diversidade na sala de aula. Porém, nosso sistema educacional e nossa sociedade em geral não levam em consideração tais princípios. O desenvolvimento de habilidades relacionadas à arte e ao esporte, por exemplo, só aparecem nas chamadas atividades extracurriculares, enquanto o sistema educacional chinês exige que cada aluno domine pelo menos três instrumentos musicais. Os concursos públicos no país focam geralmente a área jurídica é isso e é prejudicial para muita gente.
Assim, alternativas para novas práticas educacionais se apresentam como o desenvolvimento de avaliações adequadas às diversas habilidades humanas e a disponibilização de um ambiente educacional mais amplo e variado que não dependa apenas do desenvolvimento exclusivo da linguagem e da lógica. Contudo, a maneira mais difundida de aplicar a teoria das inteligências múltiplas é de, a exemplo do que faz parcialmente a pedagogia da alternância, tentar estimular todas as habilidades potenciais (as oito inteligências) dos alunos quando eles estão aprendendo um mesmo conteúdo.
PROF. DR. SOFIANE LABIDI
labidi@uol.com.br
twitter.com/slabidi
Gestão do Conhecimento
O valor de mercado de uma empresa é a soma de seus ativos tangíveis e intangíveis. Os ativos tangíveis são os bens materiais da empresa (máquinas, móveis, estoques, etc.) e os ativos intangíveis (imateriais) são aqueles que não possuem existência física (marcas, patentes, competências, estratégias, capacidades de inovação, etc.). Estima-se hoje que o valor econômico de uma empresa bem sucedida é constituído por aproximadamente 80% de ativos intangíveis e apenas 20% de ativos tangíveis. É exatamente o contrário do que erra quatro décadas atrás. Como exemplo, a empresa Natura, líder do mercado brasileiro de cosméticos e uma das três marcas mais valiosas do país com um valor de mercado de 3,5 bilhões de dólares (2006) tem 90% em ativos intangíveis e apenas 10% em ativos tangíveis.
Enquanto os ativos tangíveis estão se tornando commodities i.e. sem muito poder competitivo, os ativos intangíveis, fortemente baseados no conhecimento, tornarem-se mais relevantes na criação de valor agregado para sociedade e para economia. Portanto, na era do Saber, as organizações precisam considerar o conhecimento como elemento indispensável nas suas estratégias de negócio.
O conhecimento é classificado em dois tipos: tácito e explícito. O conhecimento tácito é aquele disponível na mente das pessoas, difícil de ser explicitado e formalizado (exemplos: "dirigir uma bicicleta", "reconhecer a voz de algum", etc.). Já o conhecimento explícito é facilmente estruturado, podendo ser armazenado em documentos, manuais, bancos de dados, etc. (exemplos: leis, axiomas, etc.). O conhecimento tácito representa cerca de 70% dos ativos intangíveis da empresa o que explica a complexidade da localização e identificação do saber da empresa.
A questão é: "como as organizações devem lidar com o conhecimento para gerar riqueza e atender aos requisitos de competitividade e mudança do mundo globalizado?". Isto é o propósito da Gestão do Conhecimento (GC). Na era do Saber, a Gestão do Conhecimento se transformou em um valioso recurso estratégico na vida das pessoas e das empresas. Ninguém hoje duvida na importância do conhecimento para sociedade, porém "saber muito" não implica necessariamente em um maior poder de competição. Isto porque o conhecimento deve ser aliado à sua gestão eficiente para gerar resultados.
Entretanto, nos últimos anos, as empresas investirem muito em tecnologia como sendo o diferencial de mercado. Atualmente, a tecnologia continua sendo um grande diferencial, porém não é o mais valioso. A tecnologia, com custos cada vez mais acessíveis, está aí disponível para qualquer organização que quer investir. Porém, devido ao mercado globalizado onde a concorrência é altamente competitiva, as empresas estão procurando cada vez mais gerir seus conhecimentos para inovar e abrir novas oportunidades de negócio.
O interesse das organizações no conhecimento se deve principalmente pelo conhecimento estar muito associado à ação. O conhecimento é avaliado pelas decisões e ações que ele desencadeia. Um melhor conhecimento pode levar a melhores decisões em marketing, vendas, produção, e distribuição.
O conhecimento é, portanto, o maior capital da empresa. Gerenciar este capital intelectual e tê-lo disseminado e compartilhado por todos da organização e principalmente tê-lo disponível no momento exato para dar suporte às tomadas de decisões dos executivos, é o grande desafio que as organizações estão enfrentando e que são depositadas nos processos da Gestão do Conhecimento com aplicação das novas tecnologias.
A Gestão do Conhecimento pode ser vista como uma coleção de processos que governa a criação, disseminação e utilização do conhecimento para atingir os objetivos da organização. Ela foca três aspectos principais: (1) ativos intangíveis (com ênfase no fator humano), (2) tornar a gestão do conhecimento algo explícito, e (3) incentivar e criar mecanismos que facilitem aos funcionários compartilharem seus conhecimentos.
Para transformar dados em informações precisamos de ferramentas computacionais comuns. Mas, para transformar informação em conhecimento precisamos de tempo e técnicas complexas geralmente de Inteligência Artificial. Conhecimento não é nem dado nem informação, mas está relacionado a ambos. Podemos pensar em informação como sendo dado que faz sentido, que faz diferença. Por exemplo, o número "6" seria apenas um dado, "6 pessoas" seria uma informação, e "se não houver fiscalização podemos por 6 pessoas em um carro" é um conhecimento. Todavia, o conhecimento é um conjunto formado por experiências, valores, informação de contexto, criatividade aplicada à avaliação de novas experiências.
Nas organizações, o conhecimento se encontra não apenas nos documentos, bases de dados e sistemas de informação, mas também nos processos de negócio, nas práticas dos grupos e na experiência acumulada pelas pessoas. Em inglês é chamado de "expertise".
Como exemplos de ferramentas e métodos que podem ser empregadas para auxiliar na Gestão do Conhecimento citamos as Intranets Corporativas, Sistemas de Workflow e de Groupware, Memórias Corporativas, Sistemas ERP (Enterprise Resource Planning), SIGE (Sistemas Integrados de Gestão Empresarial), Document Management System, SWOT, Balanced Scorecard, Benchmarking, Data Warehouse, Data Mining (Mineração de Dados), entre outros. Estima-se que o uso de Datawarehouse, por exemplo, gera um retorno de investimento para as empresas de cerca de 400 % em um período de um ano.
Assim, não devemos mais se limitar a definir a empresa como apenas uma unidade econômica de produção de bens e serviços. Esta deve principalmente ser vista como uma unidade de produção de conhecimento. De fato, a empresa além de suas habilidades de agir, se adaptar, e crescer tem um know-how detido por seus integrantes, que reflete toda sua competência para desenhar, construir, vender, e dar suporte aos seus produtos e serviços.
A Gestão do Conhecimento deve ser vista, portanto, como uma estratégia essencial para desenvolver a competitividade das empresas e do Estado e se tornar algo permanente. O desempenho da empresa depende cada vez mais de sua capacidade de tornar acessível para todos os conhecimentos tácitos e explícitos individuais. Isto passa por uma apreensão dos avanços tecnológicos e das teorias de criatividade e aprendizagem individual e organizacional. As empresas devem também pensar em seus colaboradores não mais como "recursos humanos" e sim como "capital humano".
Portanto, investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação são necessários tanto na academia como no setor produtivo e os avanços da tecnologia gerencial relacionada à Gestão do Conhecimento e das tecnologias de informação e de telecomunicações podem de fato aumentar a capacidade de gerar, difundir e armazenar conhecimento de valor para as empresas.
PROF. DR. SOFIANE LABIDI.
soflabidi@gmail.com
twitter.com/slabidi
Enquanto os ativos tangíveis estão se tornando commodities i.e. sem muito poder competitivo, os ativos intangíveis, fortemente baseados no conhecimento, tornarem-se mais relevantes na criação de valor agregado para sociedade e para economia. Portanto, na era do Saber, as organizações precisam considerar o conhecimento como elemento indispensável nas suas estratégias de negócio.
O conhecimento é classificado em dois tipos: tácito e explícito. O conhecimento tácito é aquele disponível na mente das pessoas, difícil de ser explicitado e formalizado (exemplos: "dirigir uma bicicleta", "reconhecer a voz de algum", etc.). Já o conhecimento explícito é facilmente estruturado, podendo ser armazenado em documentos, manuais, bancos de dados, etc. (exemplos: leis, axiomas, etc.). O conhecimento tácito representa cerca de 70% dos ativos intangíveis da empresa o que explica a complexidade da localização e identificação do saber da empresa.
A questão é: "como as organizações devem lidar com o conhecimento para gerar riqueza e atender aos requisitos de competitividade e mudança do mundo globalizado?". Isto é o propósito da Gestão do Conhecimento (GC). Na era do Saber, a Gestão do Conhecimento se transformou em um valioso recurso estratégico na vida das pessoas e das empresas. Ninguém hoje duvida na importância do conhecimento para sociedade, porém "saber muito" não implica necessariamente em um maior poder de competição. Isto porque o conhecimento deve ser aliado à sua gestão eficiente para gerar resultados.
Entretanto, nos últimos anos, as empresas investirem muito em tecnologia como sendo o diferencial de mercado. Atualmente, a tecnologia continua sendo um grande diferencial, porém não é o mais valioso. A tecnologia, com custos cada vez mais acessíveis, está aí disponível para qualquer organização que quer investir. Porém, devido ao mercado globalizado onde a concorrência é altamente competitiva, as empresas estão procurando cada vez mais gerir seus conhecimentos para inovar e abrir novas oportunidades de negócio.
O interesse das organizações no conhecimento se deve principalmente pelo conhecimento estar muito associado à ação. O conhecimento é avaliado pelas decisões e ações que ele desencadeia. Um melhor conhecimento pode levar a melhores decisões em marketing, vendas, produção, e distribuição.
O conhecimento é, portanto, o maior capital da empresa. Gerenciar este capital intelectual e tê-lo disseminado e compartilhado por todos da organização e principalmente tê-lo disponível no momento exato para dar suporte às tomadas de decisões dos executivos, é o grande desafio que as organizações estão enfrentando e que são depositadas nos processos da Gestão do Conhecimento com aplicação das novas tecnologias.
A Gestão do Conhecimento pode ser vista como uma coleção de processos que governa a criação, disseminação e utilização do conhecimento para atingir os objetivos da organização. Ela foca três aspectos principais: (1) ativos intangíveis (com ênfase no fator humano), (2) tornar a gestão do conhecimento algo explícito, e (3) incentivar e criar mecanismos que facilitem aos funcionários compartilharem seus conhecimentos.
Para transformar dados em informações precisamos de ferramentas computacionais comuns. Mas, para transformar informação em conhecimento precisamos de tempo e técnicas complexas geralmente de Inteligência Artificial. Conhecimento não é nem dado nem informação, mas está relacionado a ambos. Podemos pensar em informação como sendo dado que faz sentido, que faz diferença. Por exemplo, o número "6" seria apenas um dado, "6 pessoas" seria uma informação, e "se não houver fiscalização podemos por 6 pessoas em um carro" é um conhecimento. Todavia, o conhecimento é um conjunto formado por experiências, valores, informação de contexto, criatividade aplicada à avaliação de novas experiências.
Nas organizações, o conhecimento se encontra não apenas nos documentos, bases de dados e sistemas de informação, mas também nos processos de negócio, nas práticas dos grupos e na experiência acumulada pelas pessoas. Em inglês é chamado de "expertise".
Como exemplos de ferramentas e métodos que podem ser empregadas para auxiliar na Gestão do Conhecimento citamos as Intranets Corporativas, Sistemas de Workflow e de Groupware, Memórias Corporativas, Sistemas ERP (Enterprise Resource Planning), SIGE (Sistemas Integrados de Gestão Empresarial), Document Management System, SWOT, Balanced Scorecard, Benchmarking, Data Warehouse, Data Mining (Mineração de Dados), entre outros. Estima-se que o uso de Datawarehouse, por exemplo, gera um retorno de investimento para as empresas de cerca de 400 % em um período de um ano.
Assim, não devemos mais se limitar a definir a empresa como apenas uma unidade econômica de produção de bens e serviços. Esta deve principalmente ser vista como uma unidade de produção de conhecimento. De fato, a empresa além de suas habilidades de agir, se adaptar, e crescer tem um know-how detido por seus integrantes, que reflete toda sua competência para desenhar, construir, vender, e dar suporte aos seus produtos e serviços.
A Gestão do Conhecimento deve ser vista, portanto, como uma estratégia essencial para desenvolver a competitividade das empresas e do Estado e se tornar algo permanente. O desempenho da empresa depende cada vez mais de sua capacidade de tornar acessível para todos os conhecimentos tácitos e explícitos individuais. Isto passa por uma apreensão dos avanços tecnológicos e das teorias de criatividade e aprendizagem individual e organizacional. As empresas devem também pensar em seus colaboradores não mais como "recursos humanos" e sim como "capital humano".
Portanto, investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação são necessários tanto na academia como no setor produtivo e os avanços da tecnologia gerencial relacionada à Gestão do Conhecimento e das tecnologias de informação e de telecomunicações podem de fato aumentar a capacidade de gerar, difundir e armazenar conhecimento de valor para as empresas.
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